
Formula Virtual Series arranca hoje, a história recomeça no Nürburgring
O Formula Virtual Series regressa à competição com a primeira ronda de 2026 no Nürburgring, 32 pilotos na lista de inscritos e uma pergunta que atravessa este reencontro: quem conseguirá juntar o seu nome aos de Tiago Castro e Miguel Meireles?
Desde a última edição, em 2019, muita coisa mudou. Há novas equipas, rivalidades entretanto construídas e campeões de outras disciplinas à procura de um lugar nesta história. Agora, o Super Formula 22 da Advanced Simulation coloca todos perante um desafio comum no rFactor 2. O passado dá motivos para acompanhar alguns nomes com particular atenção. Não dá a ninguém um lugar reservado na frente.
João Gil Neves e Bernardo Kolbe: a rivalidade muda de carro
É difícil olhar para os inscritos sem recordar o último VTCC. João Gil Neves e Bernardo Kolbe voltam a encontrar-se, depois de uma disputa pelo título que só ficou resolvida na última ronda, em Monza.
João Gil chega como campeão do VTCC e da classe LMP2 do Le Mans Masters Season 2. Dois títulos em contextos diferentes que tornam a sua presença particularmente interessante: conseguirá transportar essa capacidade de adaptação para um monolugar? Na United Simracing, terá a companhia de Carlos Esteves, numa dupla que coloca também a discussão coletiva entre os pontos de interesse desta estreia.
Do outro lado, Bernardo Kolbe surge inscrito pela Neptune Motorsport Sunstar Racing, ao lado de Francisco Martins. Depois de ter levado a luta do VTCC até ao desfecho, encontra aqui uma nova oportunidade de começar por cima. A rivalidade tem antecedentes; o equilíbrio entre ambos neste carro ainda está por descobrir.
E seria um erro reduzir a primeira ronda a esses dois nomes.
Beto Belo, vencedor do troféu de Formula 3, apresenta-se com Tiago Pina na ORM ProSimTech. Esse sucesso anterior nos monolugares dá outra razão para acompanhar o seu arranque, embora o Super Formula e uma corrida de uma hora coloquem exigências próprias.
Na Morabia ST, a lista reúne Gonçalo Brites, Rúben Brites e Azra do Carmo. Entre títulos nos troféus e resultados de destaque nos campeonatos, não falta experiência competitiva a esta representação. A questão será perceber quem encontra primeiro a confiança necessária para atacar — e quem consegue mantê-la quando os pneus já não respondem como nas primeiras voltas.
As equipas também têm contas a abrir
A presença da Sunstar estende-se às inscrições da OhShiftTV Sunstar Racing, com António João Loureiro e Hugo Ardions, da formação II, com Tiago Lopes e Mário Santos, e da formação III, com Fernando Barbosa e Nuno Noronha. São várias duplas a acompanhar num campeonato em que o trabalho de preparação poderá ter tanto peso como a velocidade individual.
A Porto Pro Racing reúne nas inscrições José Couceiro, Gustavo Mortágua e Eduardo Cunha. Mortágua já venceu neste regresso dos troféus, em Mosport, enquanto Couceiro traz no palmarés o título do Toyota Supra. Também Pedro Amaral, vencedor dos troféus Renault Clio e Copa Corsa, integra a representação da Spirit SimRacing, presente na lista com António Abreu e Jorge Afonseca.
Mais adiante, Rodrigo Teixeira e André F. Pinto representam a Team Full Speed. Rui Oliveira, pela Origin, Gonçalo Nunes, pela Aquila Club, e Filipe Gordinho, pela ORM, juntam-se a um pelotão que inclui ainda Andrea Zampini, Karl Strouhal, Mickael Folcher, Peter Vagapov e Luciano Ichazo.
Há argumentos para acompanhar muitos pilotos. Uma hierarquia, por enquanto, ainda não existe. É precisamente isso que torna esta noite especial.
Uma hora para descobrir quem preparou melhor o regresso
No Nürburgring, a primeira resposta chega numa corrida de 60 minutos, com partida parada após a volta de formação e troca obrigatória dos quatro pneus entre os minutos 3 e 57.
A paragem abre espaço à estratégia: antecipar a troca para procurar pista livre ou prolongar o primeiro turno poderá mudar a posição de um piloto sem uma ultrapassagem direta. Mas qualquer escolha terá de sobreviver ao ritmo real da corrida.
Há ainda outro recurso para gerir: 200 segundos de Push to Pass, com ativações até 20 segundos e 100 segundos de intervalo entre utilizações. Gastá-lo para concluir um ataque pode fazer sentido; precisar dele pouco depois e não o ter disponível pode custar caro. Na qualificação, onde a sua utilização é proibida, a disputa faz-se sem essa ajuda.
A estreia será, por isso, mais do que uma comparação de voltas rápidas. Será o primeiro teste à preparação, à leitura dos adversários e à capacidade de executar uma corrida completa.
O primeiro capítulo de uma viagem até novembro
Depois do Nürburgring, o campeonato segue para Madring e atravessa depois a Ásia, com Shanghai, Yeongam, Suzuka e Buriram. Seis rondas, até 30 de novembro, para decidir quem escreve o próximo nome na história do Formula Virtual Series.
Também as decorações entram em competição. No âmbito da parceria com a Advanced Simulation, as duas pinturas mais votadas pela comunidade terão lugar no mod original disponibilizado ao público. Um reconhecimento para o trabalho que começa muito antes de o carro sair da garagem.
Hoje, porém, a atenção estará na pista. Tiago Castro e Miguel Meireles continuam a ser os únicos campeões de uma competição que regressa com novos protagonistas e rivalidades bem vivas.
O terceiro nome ainda está por escrever. A primeira oportunidade de o reclamar chega esta noite, no Nürburgring.
