
João Gil Neves prolongou a invencibilidade na LMP2. Gustavo Goulart bateu o bicampeão Belchior Neto por apenas 620 milésimos nos LMGT3. A United Simracing saiu de Portimão com as duas vitórias e a liderança das equipas, mas a abertura também apresentou os adversários que querem impedir a repetição desse resultado.
A Season 3 do Le Mans Masters prossegue hoje, 28 de setembro, em Barcelona. Depois dos primeiros 90 minutos no Algarve, já existem referências para perseguir, diferenças para recuperar e pilotos para quem a segunda ronda precisa de terminar de forma bem diferente da primeira.
João Gil continua a vencer. Quem consegue aproximar-se?

Mudar de temporada não interrompeu a sequência de João Gil Neves. Depois das seis vitórias que lhe entregaram o título LMP2 na Season 2, o piloto da United abriu a nova edição com pole position, melhor volta da corrida e triunfo em Portimão.
São sete vitórias consecutivas na categoria. A última chegou com 32,924 segundos de vantagem sobre José Mendes, uma margem que volta a colocar o campeão como a referência a bater.
José Mendes, contudo, deu à Lusitania um arranque forte. Segundo na qualificação e na corrida, foi o adversário mais próximo de João Gil e chega a Barcelona com 57 pontos, contra os 75 do líder. O primeiro desafio será encurtar a distância em pista; só depois poderá pensar em inverter a ordem na classificação.
Miguel Silvério, da LK Motorsport, completou o pódio e confirmou o terceiro lugar da grelha com uma corrida que terminou na mesma volta do vencedor. Atrás ficou Ricardo Lopes, vice-campeão da temporada anterior, que recuperou de sexto para quarto pela Grow Racing Team. Barcelona oferece-lhe agora a oportunidade de regressar aos pódios que marcaram a sua campanha na Season 2.
Paulo Duarte Ribeiro fechou os cinco primeiros pela Track Limits Motorsport, enquanto Bruno Neves levou a Team Full Race de décimo a sexto. São resultados que mantêm estes pilotos na discussão, num campeonato em que uma corrida bem executada pode valer tanto como uma qualificação mais rápida.
Goulart coloca pressão dentro da própria United

Nos LMGT3, Portimão deixou uma imagem bem diferente: depois de 90 minutos, Gustavo Goulart e Belchior Neto terminaram separados por pouco mais de meio segundo.
Ambos partiram entre os últimos da grelha, sem um tempo de qualificação registado, e ambos chegaram à frente da classe. Goulart ficou com a vitória; Belchior iniciou a defesa do bicampeonato com um segundo lugar que valeu 57 pontos.
Para a United, foi uma dobradinha. Para o campeonato de pilotos, foi o primeiro sinal de que a ameaça ao terceiro título consecutivo de Belchior também pode vir de dentro da equipa.
Barcelona permitirá perceber se esse equilíbrio se mantém noutro circuito. Goulart procura confirmar a vitória da estreia. Belchior quer responder antes que a diferença cresça. E os adversários têm razões para acreditar que podem entrar nessa disputa.
André Lopes colocou a Sardines on Carbon no pódio, terminando em terceiro. Rodrigo Teixeira, autor do melhor tempo de qualificação da classe, foi quarto e representa a Zaidulovers. A velocidade de uma volta já apareceu; falta transformá-la numa corrida capaz de bater os homens da United.
Diogo Neves completou os cinco primeiros pela Lusitania, seguido pelo companheiro Henrique Dias. Já Daniel Pereira, segundo na qualificação, abandonou. A equipa mostrou andamento e presença na frente, mas também sentiu como um bom início pode não chegar à bandeira de xadrez.
Lusitania persegue, Sardines precisa de responder
As vitórias de João Gil e Goulart deram à United Simracing 150 pontos na classificação coletiva. Como pontua apenas o melhor piloto de cada equipa em cada classe, o segundo lugar de Belchior reforçou o resultado desportivo sem acrescentar pontos à conta das equipas.
A Lusitania é a perseguidora mais próxima, com 82 pontos, construídos pelo segundo lugar de José Mendes na LMP2 e pelo quinto de Diogo Neves nos LMGT3.
A campeã em título, Sardines on Carbon, ficou nos 42 pontos de André Lopes. O abandono de Marco Ferreira na LMP2 impediu a equipa de pontuar nas duas frentes. Barcelona torna-se, por isso, uma oportunidade importante para recuperar a capacidade coletiva que lhe deu o título anterior.
Não basta olhar para quem vence à geral. Uma chegada sólida nos GT pode proteger uma noite difícil nos protótipos — e um abandono numa das classes pode deixar toda a equipa a perder terreno.
Noventa minutos para confirmar ou contrariar Portimão
O Circuit de Barcelona-Catalunya combina curvas rápidas e prolongadas, zonas técnicas e uma longa reta principal, colocando à prova o equilíbrio dos carros e a gestão dos pneus.
Com oito pneus disponíveis por ronda e sem mantas de aquecimento, o regulamento acrescenta peso às escolhas de cada piloto. Encontrar velocidade será apenas parte do trabalho; preservá-la ao longo dos 90 minutos, entre paragens e tráfego de outra classe, poderá decidir o resultado.
João Gil chega para prolongar uma sequência que ninguém conseguiu interromper. Goulart procura repetir a vitória sobre Belchior. A Lusitania tenta aproximar-se da United e a Sardines precisa de voltar a somar nas duas categorias.
Portimão definiu os primeiros líderes. Hoje, Barcelona começa a mostrar quanto lhes vai custar continuar na frente.
