Norisring expõe limites, baralha a frente do pelotão e reforça o comando de João Ascensão
A quarta ronda do VDTM 2025 levou o campeonato até ao mítico circuito urbano de Nuremberga, o Norisring — um traçado curto, técnico e implacável, onde cada erro tem consequências imediatas e onde o ritmo é tão importante quanto a capacidade de sobreviver à pressão constante numa ronda onde a margem de manobra praticamente não existia.
Pole brilhante de João Gil Neves A qualificação confirmou desde cedo o equilíbrio extremo da frente.
Numa sessão marcada por voltas lançadas em pacotes muito curtos e pela dificuldade natural de encontrar espaço num circuito onde a média de volta ronda os 49 segundos, João Gil Neves surpreendeu ao garantir a pole position com um impressionante 49.242.
A diferença para João Ascensão foi mínima — apenas 153 milésimos — com Gonçalo Brites a fechar o top 3 também dentro de quatro décimas.
Nuno Miguel Abreu, Azra do Carmo, Ruben Brites e Toz Almeida seguiram todos em blocos compactos, num dos alinhamentos mais apertados da temporada.
A luta por uma volta limpa tornou-se um exercício de precisão absoluta: qualquer toque no muro, erro no Schöller-S ou atraso na travagem para a Grundig Kehre traduzia-se em décimos — e posições — perdidos de imediato.
A sessão deixou claro que a corrida seria tão táctica quanto caótica.
Ascensão domina, Abreu responde e Norisring transforma o pelotão num verdadeiro campo de batalha do campeonato A partida confirmou essa previsão.
O arranque do poleman João Gil Neves correu mal e precipitou o momento decisivo da sua participação: uma perda imediata de posições, seguida de um incidente que o acabaria por retirar da corrida.
Ascensão aproveitou sem hesitar, assumindo o comando logo na fase inicial e estabelecendo um ritmo seguro e constante, demonstrando novamente o controlo emocional e técnico que tem marcado a sua temporada.
Atrás dele, porém, o caos tomou conta do pelotão.
Nuno Miguel Abreu emergiu rapidamente como o principal opositor, mantendo-se firme em segundo lugar e resistindo à pressão constante nas primeiras voltas.
Ruben Brites recuperou de forma notável, subindo seis posições rumo ao pódio num trabalho sólido, tanto em pista como na janela de paragem obrigatória. >p>O circuito, como habitual, não perdoou ninguém.
Entre toques, perdas de controlo e incidentes nos ganchos, vários nomes sofreram danos ou comprometeram o ritmo — entre eles Gonçalo Brites, João Travanca e Pedro Amaral.
No meio da turbulência, Toz Almeida destacou-se pela consistência e pelas boas decisões no trânsito, garantindo um excelente quarto lugar, enquanto António Paparinopoulos confirmou mais uma exibição sólida com um quinto posto muito merecido.
Mas talvez o destaque mais surpreendente tenha sido Tiago Pina, que subiu nove posições com uma corrida limpa, inteligente e sem erros num dos traçados mais difíceis do calendário.>p> A janela de boxes — obrigatória entre os 10 e os 45 minutos — acrescentou uma camada tática fundamental.
Ruben Brites beneficiou de um undercut cirúrgico, saltando posições chave, enquanto Abreu manteve a pressão sobre Ascensão com uma paragem bem executada.
Ainda assim, nenhuma estratégia foi suficiente para alterar o desfecho: o líder do campeonato voltou a controlar o ritmo, evitou incidentes e administrou a vantagem até final.